Lições de LAROM

Pescotapas disciplinares e tostões repressivos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!



Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Golpes truculentos de tacape e porradões nos córneos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arquiinimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio e hoje: Larom e a direita primitiva.

Noite de confraternização na Barra da Tijuca. De frente para o mar, um empresário recebe seus fornecedores e colaboradores em seu gigantesco apartamento para pedir apoio à sua candidatura a deputado federal. Depois de amaciar os convidados com canapés e cervejinha gelada, o milionário começa seu discurso:

Estamos no topo da pirâmide e no momento quem está na base é que está decidindo os rumos do país. Nós somos a elite e precisamos tomar as rédeas da política para um país melhor.
Precisamos diminuir o tamanho deste Estado paquiderme. Se o Estado tivesse uns duzentos administradores, o progresso seria muito grande. Se vocês leram a Veja dessa semana, viram que o Brasil está perdendo em competitividade.
Por isso, temos é que diminuir impostos para nossas empresas. Nossa legislação trabalhista data de 1940 e é atrasada. Na CLT, o funcionário paga do seu bolso seus benefícios e tem salários baixos. Não vale à pena esse paternalismo.
Hoje o governo é tomado por sindicatos. Isso é atrasado. Pode ter sido importante na época da Revolução Industrial, mas no mundo moderno as empresas é que são os grandes agentes na sociedade.
No mundo que vivemos, não adianta fazer reforma agrária. Uma máquina faz o trabalho de 300 homens. O que eles vão fazer? Quebrar as máquinas? Hoje não precisamos de mão-de-obra, precisamos de cérebros.
Meu maior princípio é a honestidade. Eles me colocaram ai no meio dessa máfia dos sanguessugas. Porque na política é assim, quando você não tem defeito, eles logo inventam um. O pior problema não é a corrupção, a corrupção vai sempre existir, mas sim a falta de rumo.
Por fim, quero dizer que eu sou muito mais empresário do que político, e penso que mesmo que eu não fizer nada no congresso, pelo menos estou ocupando o lugar de um safado e impedindo que mais um corrupto entre. Eu sou o mesmo na empresa e no congresso e gostaria de contar com o apoio de vocês. Alguém gostaria de fazer algum comentário, tirar alguma dúvida?

Prontamente, um dos fornecedores engoliu um canapé e se manifestou:

- Eu vou colocar o adesivo com o número do senhor no ponto dos funcionários e acho que dá para fazer a cabeça de muitos. Porque se fosse para vereador eu nem tentaria... a massa acaba votando naqueles que estão mais próximos. Mas pra federal ninguém tem candidato. O problema é que com o Lula eles passaram a comer mais, aí já viu... fica difícil convencer a não votar nele.

Depois destas palavras, escalando as vinte e quatro varandas com mãos abissais, pula na sala um aglomerado bufante de músculos e ódio. O trator negro encapuzado trouxe nas costas seu gigantesco TACAPE DA CONSCIÊNCIA, que, manejado com truculência, foi pousar com a tonelagem de uma ambulância superfaturada nos córneos do parlamentar. Os convidados, assustados, puseram-se a correr derrubando os milhares de panfletos, santinhos e adesivos que lhes seriam distribuídos. Por sobre o corpo inerte do neoliberal de discurso primitivo, o carrasco vigilante deitou uma foice, um martelo, o livro "Coronelismo, Enxada e Voto" e centenas de sanguessugas famintas em sua barriga gorda.

Previsivelmente, do elevador social surge um metrossexual montado com uma cartola estilizada, uma cigarrilha e uma bengala com um diamante incrustado:

- A vida econômica é regida por uma "ordem natural" (fez as aspas com os dedos) constituída por livres decisões individuais, cuja mola mestra é o mecanismo do mercado. Quanto menor a participação do Estado na economia, maior é o poder dos indivíduos e mais rapidamente a sociedade pode se desenvolver e progredir, para o bem dos cidadãos. De forma pobre e maniqueísta vocês da esquerda festiva culpam o neoliberalismo e o FMI pela miséria brasileira! Viva Friedrich Hayek e Milton Friedman! Laissez-Faire, Laissez-Passer! Eu sou o Pós Moderninho e vim para desregular e liberalizar geral!

O triturador negro agressivo saudou o opositor ideológico com um nada democrático golpe do TACAPE DA CONSCIÊNCIA, fruto de um giro máximo de quadril. Com o lado direito do rosto inchado, quente e pulsante, a princesa modernosa é socorrida por vários cabos eleitorais, futuros políticos profissionais, sedentos de um cargo.

Partindo para o congresso meter a porrada nos outros sanguessugas e mensaleiros, a montanha de músculos e hormônios mascarada segue seu rumo, gritando a plenos pulmões esta palavra de ordem:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 5:23 PM Comentarios:



Segunda-feira, Outubro 02, 2006


postado por: FRANCISCO COTA 3:07 PM Comentarios:



Quinta-feira, Julho 13, 2006

Saiu suado e fedorento da oficina com o capuz no banco carona do seu Corcel 76. Chegou ao endereço da fábrica, vestiu sua máscara e ignorou a existência da cancela. Os tiros dos seguranças foram parados pelas mãos gigantescas, as mesmas que em seguida explodiram como ogivas nucleares nos córneos dos atiradores.
Por debaixo dos furos no capuz ele leu as placas que o levaram até o estúdio de gravação. Sem delongas, deslocou cinco braços, bicou dez canelas e distribuiu cachações em qualquer um que se colocasse em seu caminho. Embora a porta onde se podia ler "Estúdio" estivesse aberta, ele não quis perder tempo checando a maçaneta e simplesmente transpôs a parede ao lado. Operadores de câmera, técnicos de som, contra-regras e todos os presentes na gravação do longa "Post Modern crushes Larom" assistem um rinoceronte negro cheio de poeira, restos de tijolos e muita raiva irromper a parede e bufar. O varão obtuso fita o seu dublê caído no chão, humilhado perante uma dama multicolorida de franjão alisado. Com apenas um salto, o vigilante deslocou seus cento e quarenta e dois quilos de músculos e banha em direção à boneca despojada e deixou sua bigorna em forma de punho cair com a tonelagem de um avião tucano por sobre sua face branca, maquiada e tratada por peeling. O resultado é o deslocamento do maxilar, a quebra do nariz, o descolamento da retina do olho esquerdo, um som ininterrupto zumbindo nos ouvidos e em seguida um fade-out cinematográfico.
Horrorizados, todos começam a correr para fora dali. Alguns pegam seus celulares leves, fininhos e polifônicos e ligam para a polícia. Entretanto, os cães não poderiam ser tão rápidos a ponto de evitar que o carrasco negro da justiça espalhasse pelo local diversas bananas de dinamite unidas por um gigantesco pavio, que é levado consigo até o portão principal da fábrica. Os poucos que procuraram impedi-lo nesta tarefa foram nocauteados com megatons no pulmão e arrastados desacordados até a saída, juntamente com a gazela pós-moderna.
Como um australopitecus, a massa gorda e peluda sorri por debaixo do capuz, agarra duas pedras no chão e as fricciona até que uma maravilhosa faísca inflame a ponta do gigantesco pavio. A chama segue até o seu destino, produzindo uma sensacional explosão. Estrondos descomunais. Pilares ruindo. Nuvens de fumaça e poeira. Fogo e destruição.
Hordas de Líderes Servidores socorrem seu companheiro afeminado e, cheios de metas e foco, choram engravatados o fim de um empreendimento com ótima margem. Nos olhos do vingador moral, o retorno da alegria inocente daquele menino que explodia latas de achocolatado com cabeções-de-negro. No ar, seu gozo em palavra:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 11:49 AM Comentarios:



Sexta-feira, Maio 05, 2006

- Deixe-me tentar imaginar. Você pegou um dos meus brinquedos sensacionais, olhou a embalagem, anotou o endereço da fábrica, encheu a pochete de explosivos e realmente achava que entraria aqui furtivamente e detonaria tudo o que eu genialmente construí para alegrar as crianças. Ok, ok... Muito esperto de sua parte. E agora, que sabe que está sendo vigiado? Imagino que esteja um pouco apreensivo... Como uma mosca atraída para dentro de uma planta carnívora... Mas mesmo que tenha entrado sem ser convidado, eu como bom anfitrião que sou, decidi dar-te as boas vindas... No estilo Post Modern de ser.

Súbito, o corredor por onde o truculento mascarado caminhava transforma-se em uma íngreme rampa, fazendo o vigilante escorregar e despencar para dentro de uma câmara subterrânea. Ainda atordoado com a queda, o mastodonte moral ergue o olhar e avista um ser vestido com um traje colante flutuando em um disco de vinil. Um capacete cor-de-rosa e uma manopla metálica em forma de canhão chamam a atenção.

- Você, enfiado neste capuz, apontando com autoridade o que é certo e o que é errado. Você, que se arroga do direito de fazer a justiça com as próprias mãos. Muito bonito. Você parece saber muito sobre as coisas do mundo... Mas o que sabe sobre você? Quem é este que se esconde atrás da máscara? O que temes? Temes não conseguir assumir que se orgulha por ter nascido branco?

Nesse momento, da boca do canhão de mão é lançado na direção de Larom um DISK MAN onde se podia ler "Made in Usa". Com a esquiva dos capoeiras, o vigilante evita o choque e o projétil explode violentamente atrás de si.

- Talvez tenha medo de assumir que tem seu lado fútil e que gosta da violência gratuita...

Nesse instante, com um toque em um dos botões da manopla, surge do chão abaixo do herói, minúsculos fios que se enroscam rapidamente em suas pernas, fixando-o no solo e formando uma ridícula BERMUDA FLORIDA.

- Ou talvez haja momentos em que suas ideologias parecem sufocá-lo e você sinta vontade de ouvir apenas o ego falar...

Os mesmos fios agora sobem o corpo do carrasco e desenham uma manjada CAMISETA DO CHE GUEVARA, que começa a continuamente apertar as costelas. Em resposta, as gigantescas mãos procuram agressivamente rasgar a bermuda e a camiseta.

- Nunca pensou em ter um filho perfeito, lindo, inteligente, prodígio?

Com um brusco movimento, Pós Moderninho dispara um BOOK INFANTIL na direção de Larom e este, ainda às voltas com o que lhe atava os movimentos, não consegue evitar o golpe em seu peito, caindo com o impacto.

- Será que a sua razão iluminista, humanista e científica sempre conseguiu responder a todos os seus questionamentos? Nunca buscou na divindade a cura para a dor?

Agora é a vez de uma BÍBLIA FEDENDO A SUVACO ser disparada e acertar Larom ainda caído, ferindo sua perna esquerda. Puto para cacete, o troglodita arranca uma placa de metal do assoalho e arremessa com total violência em direção à gazela flutuante. A inesperada reação não pôde ser prevista e o choque acabou por danificar o disco de vinil flutuante, fazendo com que a moçoila precisasse pousar.

- Nunca preferiu o caminho mais fácil, mesmo que não fosse o mais correto?

Uma FLANELA INCANDESCENTE é atirada sobre Larom, que se utiliza de um rolamento para escapar.

- Nunca quis ser famoso?

Agora uma lâmina com a FOTO DE ANDRÉ MARQUES é disparada, e nem os reflexos de malandro do mascarado foram suficientes para livrá-lo de um corte no ombro.

- Nunca se deliciou com a mediocridade?

Súbito, em toda a parede do recinto se podia ler PALAVRAS CRUZADAS NÍVEL SOPA, APITO E PICOLÉ. Larom se viu automaticamente respondendo algumas linhas, o suficiente para atordoá-lo e deixá-lo aberto para uma chibatada nos córneos com um LARGO CINTO FEMININO CARAMELO.

- HAHAHAHA Sua truculência de nada vale contra a minha inteligência e tecnologia!

Tomado de fúria, o neanderthal moral trota na direção do desafiante e não atenta para uma quantidade considerável de EMPANADOS INFANTIS CONGELADOS espalhados pelo chão, o que provoca um tombo estrondoso.

- Você agora não passa de uma massa disforme e decadente!

Acionando um botão, um gigantesco CONVITE PARA CHOPADA autocolante, que prende o vingador negro no chão. Ainda atordoado com a quantidade e a rapidez dos ataques, um OCULOS DE ARO PRETO é colocado sobre sua máscara e uma contagem regressiva se inicia em suas lentes. 10, 9, 8... A perna dói e não se move... 7, 6, 5... o ombro esquerdo está ferido e o braço imobilizado... 4, 3, 2... em um surto violento, o braço esquerdo rompe o adesivo e consegue arremessar o óculos para longe antes da explosão fatal. Pondo-se novamente de pé, cansado e ferido, Larom fita seu inimigo, certo de que o embate físico talvez não seja a saída para o momento. Pós moderninho arremessa uma pequena FERRARI MINIATURA no chão, que gera uma imensa nuvem de fumaça.

- Diga-me, legislador, nunca almejou ter o que poucos têm? Nunca quis deliciar-se com o exclusivo?

Usando seu visor cor-de-rosa para ver através da fumaça, com sua manopla agora transformada em um pesado livro SCUM MANIFESTO, um golpe é desferido contra o pulmão de Larom, que o recebe de bom grado. Quando o carrasco gira o braço a fim de explodir a face de seu oponente, a manopla já se acha convertida em um escudo no formato de um DISTINTIVO DA PM, e a mão gigante pára dolorosamente neste obstáculo. Cambaleante em meio a fumaça, Larom é ainda alvo das traquinagens pós modernas de seu algoz, que o veste com um BONÉ DE ESPUMA E REDINHA, UMA MUNHEQUEIRA EMO E UMA PULSEIRA LIVE STRONG. Estes acessórios agem como criptonita e minam as forças do terrorista vingativo, principalmente somados ao conjunto SOFÁ + COCA-COLA + DVD DO CLASH, que ajuda a amolecer os brios do combatente. Quando tudo parecia já liquidado, uma CAMISA LACOSTE é amarrada em seu pescoço e um CD DE LOUNGE começa a tocar como uma marcha fúnebre. Espancado no chão por um KIT NITRO, AEROFÓLIO e FAROL DE MILHA, nosso herói já começa a ouvir o som da harpa e a escada que leva à luz celeste. LATAS DE CERVEJA E UM EXEMPLAR RASGADO DO CÓDIGO DE TRANSITO BRASILEIRO são metralhados sobre o corpo moribundo. A fumaça se dissipa e mostra um Larom irreconhecível, com as vestes rasgadas, a bota vulcabrás destruída, o capuz dilacerado. UMA CHAPINHA PARA PRODUZIR FRANJÕES é atirada nos córneos do herói mascarado e agora um CD DO MUSE começa a tocar.

- Agora, a cartada final.

Pós Moderninho espera as últimas estrebuchadas e quando o corpo enfim jaz inerte, deposita na Pochete de Utilidades uma FILIPETA DE UMA SOFISTICADA BOATE e para fechar, coloca o cd de JAY VAQUER para tocar.

- HAHAHAHAHAHA EU VEEEEEENCI!

Na arena, o gladiador vitorioso saboreia sua vingança e posa para as câmeras que filmaram tudo e darão origem ao primeiro longa metragem a ser produzido pelas organizações Post Modern! Corta!

postado por: FRANCISCO COTA 1:53 AM Comentarios:



Sábado, Março 04, 2006

O capô levantado, um calor do caralho e as mãos cagadas de graxa. O homem dá um comando para o dono do carro, com a chave na ignição:

- Pode girar!

O motor berra.

- Pisa aê!

O ronco é alto, responde bem.

- Tá pronto, amigo. Era o carburador mesmo.

Depois de receber "o da cerveja", o homem arria a porta da garagem e sobe as escadas rumo ao seu muquifo, limpando as mãos com uma estopa imunda. Pega a garrafa de cerveja no congelador, abre com os dentes e dá uma longa talagada no gargalo. Deixa o Stooges explodindo na vitrola. Olha pro relógio no teto e vê que é hora de buscar o filhote na casa da mãe. Esse fim de semana é dele.

Banho tomado, leve fedor de querosene e um sorriso. Na porta da escola Sementinha, ele espera o moleque, que vem de mãos dadas com a professora. Um pulo no pescoço do velho. Um beijo no rosto do terroristinha cagado de areia, canetinha e suco.

- Eae, vai dirigir hoje?

- Vou! Vou! Vou!

Dentro do Corcel 76, cor telha, bancos de couro e lataria impecável, rumo ao subúrbio, João Paulo senta-se no colo do pai gordo, põe as mãozinhas no volante de madeira, aperta forte a buzina esporrenta e foge. Foge de um mundo de nuggets, Cartoon Network e Adriana Partimpim. Por dois dias, ele não vai sentir falta dos Plays. Nem do Ground e nem do Station. Vai chutar lata, trocar figurinha, matar passarinho, colecionar minhoca, jogar botão, rodopiar pião, fazer troca-troca, travessura, futebol de rua, pular muro, olhar fechadura, ver mulher nua, comer fruta no pé, chupar picolé, pé-de-moleque, paçoca, disputar troféu, guerra de pipa no céu e concurso de piroca.

Da mochila de João Paulo, o homem retira roupas, salgadinhos, doces e um calafrio. As miniaturas de um certo vigilante urbano mascarado e seu arquiinimigo. Quando João Paulo avista os brinquedos, seus olhos brilham. Ele coloca um bonequinho em cada mão e começa:

- Eu sou o Pós Moderninho! Eu roubei o lanche do Gabriel sim! Agora vou comer tudoooo! Enganei todo mundo! Hahahahaha

- Eu vou acabar com você seu pavão idiota! Você vai pagar caro por isso! Pow! Soc! Tum!

Atônito, o homem escuta do filho:

- Viu, pai? O grandão é do bem e esse feio aqui é do mal!

O homem sorri e depois de mais um fim de semana feliz com sua cria, agarra o supino feito de cano e baldes de cimento e se diverte na oficina. Suas mãos grandes já estavam mesmo coçando...

postado por: FRANCISCO COTA 2:13 PM Comentarios:



Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Pescotapas disciplinares e tostões repressivos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e classe média aterrorizada.

Tarde de sol na Lagoa. Dentro de seu carro esporte elegante e arrojado, Heleninha Kauffmann se esconde atrás do insulfilm de penumbra total. Lá fora o calor vulcânico de 42º e o berro das buzinas e escapamentos. Dentro, o frio glacial do ar-condicionado e o canto despojado de Jay Vaquer. No sinal, um moleque sobe nos ombros do colega e joga os malabares para o alto. Súbito, um esguicho de água sai de uma garrafa pet e vai brindar o pára-brisas de Heleninha. Ela não quer que limpem o pára-brisa. Ela não quer pagar pela limpeza do pára-brisas. Ela sequer quer abrir o vidro elétrico e interagir com o menino. Coagida, ela dá algumas moedas. Puta, ela chega em casa. Com os óculos Dolce & Gabana tomando todo o rosto, ela senta para ler a coluna de Arnaldo Jabor: "Nós estamos salpicados de favelas, de onde descem hordas de vagabundos de bermuda para pescar cidadãos como num parque temático. Nosso melhor governador foi o Carlos Lacerda, nos bons tempos do Estado da Guanabara, homem inteligente e competente que foi o ódio máximo de minha juventude (podem me esculhambar, velhos comunas...), mas que nos trouxe luz, água, túneis, urbanização...". Depois de um Dry Martini, ela escreve uma carta para o jornal defendendo a legalização de emprego privado para policiais, pede o exército nas ruas e quando ia pendurar a faixa vermelha na varanda de frente para a Lagoa com a inscrição "BASTA!", ela ouve um estrondo na porta da sala. Atravessando a porta de madeira de lei, surge um aglomerado de gordura e músculos encapuzado. Ele atravessa a sala, usa o Tacape da Consciência para explodir três esculturas de mármore Carrara e quando chega próximo da socialite ela já esta desvanecida. Depois de enrolá-la em seu tapete persa e presenteá-la com fones de ouvido tocando funk de apologia ao tráfico no volume máximo, o vigilante moral apenas aguarda a corriqueira chegada da gazela modernosa. Súbito, na tv de plasma de um milhão de polegadas, um comercial anuncia:

"- Boneco LAROM!® Articulado, Boneco Pós Moderninho® com estrelinhas luminosas e cheirinho de chicle (pilhas não incluídas), Capuz de Carrasco LAROM!® - aperte o botão e ouça o urro do vigilante mascarado!, Tacape da Consciência LAROM!®, Pochete de Utilidades LAROM!® e os mais novos inimigos: Supinado e Pronador® - os irmãos jiujiteiros vão botar pra quebrar! (aperte o botão e escute "Pô, Brother" e "Vou quebrar você"), Paty Pistoleira® - Esta musa vai detonar seu coração! (aperte o botão e escute "Tipo assim, cara", "Tô nem aí" e "Quero é beijar na boca e ser feliz!") e Magnata® - o chauvinista especulador neoliberal! (aperte o botão e escute "superávit primário", "austeridade fiscal", "risco Brasil"). Corra logo e garanta logo o seu! Mais um produto Post Modern®!"

Calado. Petrificado. Perdido. Xeque-mate.

Um capuz é deixado em um latão de lixo...

postado por: FRANCISCO COTA 5:28 PM Comentarios:



Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Arremesso de comida e Garrafadas na fuça são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e o sofisticado templo dos imbecis.

Noite de "balada" sofisticada na Barra da Tijuca. Neste cenário plastificado, sem esquinas nem transeuntes, está uma casa que se pretende um mix de lounge, boate e restaurante, proporcionando várias opções de entretenimento com clima intimista, em um mesmo lugar. Pretendendo acolher a "gente que faz o Rio acontecer", o complexo conta com um jardim com grandes bancos e mesas de madeira, esculturas de ferro oxidado que "são um charme à parte", sem contar o lago de 30 metros repleto de carpas e peixes japoneses, adornado por exótica vegetação. Na entrada, uma fila maravilhosa de cerca de duzentas pessoas aguardam de narizes em pé a triagem sócio-nepotista de uma promoter/hostess que separa o joio: feios mal vestidos menos ricos, do trigo: magnatas, famosos, gringos e demais VIPS. Até os sócios têm que engolir os Thierris Figueiras passando a frente e entrando direto. Sem motivo aparente, um brutamontes soca uma mulher, pega o carro importado do papai e na fuga atropela uma menina.

Depois de aguardarem duas horas na fila, tomando chuva e recebendo deliciosas saraivadas de ovos arremessados de um viaduto próximo, os pitboys e patrícias da nobreza togada conseguem enfim pagar 50 reais para entrar. Lá dentro, percebem que o palácio encontrava-se vazio e a fila era apenas uma cortesia dos renomados marqueteiros da casa. Na pista, duas Barbies mascam chiclete e cacarejam:

- Amiga, fala sério... Olha aquela garota de tênis bamba branco todo sujo! Como a promoter não viu isso?

- Monique... Que show de horror! E tem muito viado aqui né? Sem contar essas garotas de programa dando mole pros gringos... Tipo assim, muito traaaash! Mas mudando de assunto, liiiiiiiiindo o seu celular hein!

Na mesa ao lado, três casais chegam para ocupar a mesa que tinham reservado, porém existiam apenas quatro cadeiras à disposição. Como o grupo ao lado acabara de sair, os amigos puxam duas cadeiras para sua mesa. Feito isso, um segurança próximo intervém dizendo que não poderiam desfalcar a mesa ao lado. Depois de argumentarem bastante e ouvirem a simpática frase "Se quer sentar vai pra um restaurante", os seis amigos perceberam o porquê da recusa: acabavam de adentrar o recinto três bilionários dispostos a consumir garrafas e garrafas de whisky ao lado de suas modelatrizes. Estes ilustres convidados não poderiam ficar de pé.

Na pista, nenhuma interação: homens e mulheres comportam-se como se fossem os últimos biscoitos do pacote. Os bombados vão ficando putos. Pagam 250 reais de academia, 50 reais para entrar, 5 reais por cada cerveja, 15 por uma mínima porção de batatas e não estão vendo retorno para o investimento. Um deles, amigo do dono, esbarra em um outro e a testosterona é enfim convertida em ossos quebrados. Na confusão, celulares são roubados, meninas são apalpadas e os seguranças desempenham orgulhosos sua função: "não podemos fazer nada... se quiser, chame a polícia".

Súbito, o prato da casa "Atum dos deuses" voa no crânio de um dos agressores. Um segurança, que acompanhava com olhar bovino a confusão, recebe do alto uma travessa de "Espaguete ao lagostim" na fuça. O dono do estabelecimento leva blinis de batata doce com surubim defumado ao molho Bernaise nos córneos. O cabelo alisado da promoter é atingido por ravióli de massa caseira feito de ervas frescas e recheado de queijo brie, espinafre e nozes, ao molho de cogumelos selvagens. De sobremesa, o agressor distribui mini tortas de figos e chocolate com sorvete de creme crocante e tuille de cardamômo nos rostinhos das patricinhas excitadas pelos socos dos brigões. O algoz é um monstro encapuzado que presenteia os ouvintes do lounge com a canção "Batedores - Resistindo ao Arrastão Global" do Mundo Livre S/A e é logo enquadrado por uma meiga criaturinha surgida do ambiente lounge:

- Mas que absoluta falta de...

A frase é interrompida por uma garrafa do champanhe mais caro da casa que explode como um míssil na lata da pós-modernidade personificada. A boneca blasé ensangüentada é logo socorrida por Diogo Maynard, Arnaldo Jabor e Jô Soares, que fumavam charuto e jogavam sinuca no segundo andar. Enojado, o mutilador mascarado some dali, balbuciando como uma gralha esta poesia torta:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 10:32 PM Comentarios:



Segunda-feira, Setembro 05, 2005

30 de Abril de 1945

- Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo. Indignou-se o médico eugenista americano Joseph DeJarnette, castrador de pobres da Virgínia e posteriormente de negros, judeus, mexicanos, europeus do sul, epilépticos e alcoólatras. Entretanto, a marca de 60 mil pessoas esterilizadas à força nos EUA foi rapidamente batida quando em 1939 os alemães começaram a matar deficientes, em seu programa de "eutanásia forçada". "Médicos" usaram o gás inseticida Zyklon B para eliminar 70 mil pessoas "indignas de viver", em prol da "melhora da humanidade". Com o carimbo da ciência, a eugenia fornecia a base teórica para o assassinato de ciganos, deficientes, homossexuais e outros "inferiores". A eugenia para um mundo melhor, o anti-semitismo como medida sanitária, a conquista do espaço-vital para que enfim o povo pudesse florescer, tudo em nome da nação, do bem comum, em um socialismo que nada tinha a ver com Karl Marx. E tudo de um modo muito MODERNO: racional, planejado, "cientificamente" fundamentado, especializado, burocrático, eficiente.

Quando os nazistas perceberam que tiros não seriam suficientes para eliminar os 11 milhões de judeus da Europa, recorreram à outra solução MODERNA: as câmaras de gás, inspiradas nas mais MODERNAS técnicas de dedetização. Auschwitz tinha capacidade para queimar 4756 corpos por dia em 5 crematórios. Tudo para moldar a terra e construir sua utopia de um mundo puro, harmonioso e belo. E do jeito mais MODERNO: sem questionamentos morais, em nome do "progresso".

Farejando o desprezo da ética em nome da eficácia, um peludo homem das cavernas de mãos gigantescas e um fêmur na mão caça o autor das frases: "Quanto maior a mentira mais pessoas acreditarão nela.", "Se não chegarmos a triunfar não nos restaria senão, ao soçobrarmos, arrastar conosco metade do mundo neste desastre." e "Na guerra eterna a humanidade se torna grande - na paz eterna, a humanidade se arruinaria."

Nesta Berlim arrasada, o Fuhrer prepara-se para trancafiar-se na sala onde iria tomar seu sofisticado drink de cianureto. Fechada a porta, o grande ditador serve sua dose e prepara-se para a talagada final quando de dentro do armário pula um rapagote vestindo uma camiseta com um arco-íris e um triângulo rosa estampado. De baixo da cama, uma cigana com um baralho e uma bola de cristal nas mãos. De dentro do cofre, surge um ser de kipá na cabeça, longas barbas e paletó negro. Por fim, o representante final das minorias massacradas é um neanderthalense deficiente físico de mãos gigantescas, que arremessa com descomunal velocidade o FÊMUR MONOLÍTICO acertando as têmporas do inimigo da humanidade. Em seguida, todos se revezam na tarefa de retirar um a um os pêlos do bigode megalomaníaco para depois obrigá-lo a vestir lingerie e rebolar até o chão. Como um presente final, a aberração cavernosa de mãos enormes entrega ao grande líder carismático um exame de DNA que mostra seu carnaval genético. Satisfeitos, todos propõem um brinde: "Liberdade! Igualdade! Fraternidade!". Mas algo lhes dizia que a bebida do Fuhrer e de Eva Braun não lhes cairia muito bem.

Arremessando o FÊMUR MONOLÍTICO para o alto, o vingador anacrônico retorna para o tempo presente, disposto a comer kishke, chucrute, esfiha e einsbein e lançar um grito gutural de respeito, harmonia e tolerância:

- LAROM!

O vingador das cavernas desaparece daquele tempo e mais uma vez os bons valores humanitários estão preservados. Através dos tempos, LAROM! O retificador da História!

postado por: FRANCISCO COTA 11:30 AM Comentarios:



Sábado, Setembro 03, 2005

Muquifo suburbano, capuz preto secando no varal. Homem sentado em uma caixa de ferramentas, bebendo cerveja quente, limpando um gigantesco tacape com uma estopa imunda. Vira-latas fedorento passando por cima de uma pochete, cheirando uma cueca freada e lambendo os restos de uma caixa de pizza.

O homem levanta-se para trocar o lado do disco de vinil e esbarra em sua clava, que cai no chão e racha ao meio, revelando um gigantesco osso femural ali encrustado. Abismado, o homem retira dali o fêmur e, recordando-se de um de seus filmes favoritos, vai até a laje e grita a única palavra que conhece, arremessando o osso para cima...

- LAROM!

Na sala, os ponteiros do relógio cuco giram em sentido anti-horário...

postado por: FRANCISCO COTA 2:38 PM Comentarios:



Terça-feira, Agosto 09, 2005

Bicões nos córneos e Porradões na fuça são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e os IndieGestos.

Noite aprazível no bairro de Botafogo. Dois amigos saem de um cinema do circuito alternativo depois de assistirem a mais um filme com um ator desconhecido no papel principal, um astro de outrora resgatado do limbo, um jovem diretor-roteirista cheio de referências pop e uma trama leve recheada de questionamentos existenciais. Lúcio desfila com um franjão alisado por chapinha e visual despojado. Diogo, de cabelos crespos, recorre à cabeça raspada, enormes costeletas e óculos de aro preto sem grau. Os dois seguem à pé em direção a uma boate local, aproveitando o percurso para cagarem suas respectivas regras:

- E o Muse? Já ouviu o novo single, Stockholm Syndrome?

- Já sim... é legalzinho, mas eles têm coisas melhores... E o novo do Wilco, "A Ghost Is Born"? Pra mim está para o "Yankee Hotel Foxtrot" assim como o "Kid A" está para "OK Computer"... Maravilhoso!

- Radiohead é legal, mas ainda prefiro Muse... Sou muito recriminado por isso, mas não to nem aí.

- Cara, odeio esses rotuladores... Cara, se eu ouço Beachwood Sparks, porque tenho que gostar de Byrds? Se eu ouço Thee Butchers Orchestra, porque tenho que gostar de Jon Spencer Blues Explosion? Esses caras ficam putos se a gente curte Stereolab, Belle & Sebastian, Stone Roses, Sebadoh, Death Cab For Cutie e não gosta da suposta "matriz"... É ridículo!

- Tá, mas não que seja errado gostar das fontes... Beatles por exemplo... respeito muito o som dos caras...

- Sim... Beatles é outra história. A trajetória dos Beatles, para a juventude, foi do mega-estrelato para o relativo ostracismo e, agora, para o status de banda cult. Do mainstream para o mundo alternativo. Reservo os Beatles num lugar especial. Em resumo, Beatles é hoje a maior banda indie do mundo.

- Concordo. Hoje Radiohead e White Stripes é mainstream. Nos anos 90, os que ouviam Nirvana, Pearl Jam e Chili Peppers reservavam uma hora especial para os discos do Pavement. Os Beatles são o Pavement do século XXI.

- Ou o Suede, Sigur Rós...

Chegando à boate, os dois assistem a um show de uma banda com um som bem garagem, hermético e não compromissado, com integrantes instrospectivos de cabelos minuciosamente despenteados, terninhos de brechó e gravatas de gosto propositalmente duvidoso. Depois do show, os dois amigos aplaudiam a banda e se preparavam para tecer as primeiras RESSALVAS quando um BICÃO NOS CÓRNEOS foi desferido no meio da escuridão, quebrando os óculos e o nariz de Diogo. Sem reação, Lúcio esperou perplexo por um PORRADÃO NA FUÇA, que destruiu pela violência seu soberbo olhar blasé. De presente, o par de olhos luminosos na escuridão deixa discos de vinil de BLACK SABBATH, AC/DC, LED ZEPPELIN e JIMI HENDRIX sobre os corpos abatidos. Do camarim, surge uma figura alva com o cabelo ensebado e dois cintos de spike sobrepostos:

- Sua intolerância não tem limites! Estamos cansados dessa ingerência facistóide em nossos estilos de vida! Eles são pesquisadores incansáveis que se esforçam para se expressarem fora do mainstream! Eles têm uma percepção diferenciada, um faro para o novo, um amor pelo moderno! O Indie é uma forma de transformar o alternativo em moda? Sim! O Indie é o "do it yourself" punk sem ideologia? Sim! Aprenda a conviver com o outro! Eu sou o Pós Moderninho e vim para proteger essas pessoas sensíveis!

Agarrando o bichano despojado pelo cangote, o triturador mascarado conduz seu inimigo em direção ao amplificador mais próximo, e com um movimento brusco de causar inveja a Kurt Cobain e Pete Townshend, faz o crânio da boneca cool atravessar a caixa amplificada, provocando uma gigantesca explosão. Para ajudá-lo, surgem milhares de jornalistas e produtores musicais desempregados que despejam diariamente em seus blogs toda sua frustração por nunca terem feito parte de uma boa banda ou por não escreverem nos jornais ou nas grandes revistas especializadas. Saindo dali, o troglodita da retidão segue direto para o ensaio de sua banda de ROCK PESADO, sonhando fazer sucesso interplanetário, ficar multimilionário e experimentar todos os pecados capitais. Antes disso, um último acorde distorcido:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 6:07 PM Comentarios:



Terça-feira, Julho 12, 2005

Raquetadas e murros no pomo-de-adão são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e os Patetas do trânsito.

Noite de engarrafamento abissal no Rio Comprido. Perto de uma faculdade-boate-shopping center, dois amigos arremessam suas latinhas de cerveja vazias pela janela do carro e praguejam:

- Porra Marcelo, faculdade fode o trânsito, né?

- Moleque, faculdade é o de menos... Não adianta ficar bolado... O que eu fico bolado é com mulher e velho... Porra, não sei como conseguem dirigir colados no volante... Sem contar que se o limite de velocidade é 80km eles andam a 70... Porra dá muita raiva...

- Porra e os domingueiros? Caraaaaaaaalho... Sou obrigado a fechar todos só de sacanagem...

- Aí muleque, tem um motorista de ônibus, um motoboy, um motorista de taxi, um fiscal de radar móvel e um daqueles caras que insistem em lavar seu pára-brisa no sinal atravessando a rua... Qual você atropelaria?

- Hehehe Todos, mané! Porra maluco, e quando vem aqueles caras voados correndo atrás de mim, colam na traseira e ficam piscando farol? Eu adoro... Fico prendendo o cara, aí ele sai pra pista do meio pra me ultrapassar e aí acelero e prendo o malandro atrás de um carro mais lerdo... Aí ele freia de novo, volta pra esquerda, eu desacelero, ele volta a colar, pisca o farol putão e eu faço tudo de novo... Moleque, eu já fiz isso por quase 20 minutos com um babaca... O cara esmurrava o volante de raiva! Hahahaha

- Porra, faço isso direto, mané! Porra outro dia era de noite na Linha Amarela e veio um maluco piscando farol atrás de mim na pista da esquerda... Acelerei até o limite de velocidade, esperei chegar bem perto de um radar móvel e fui pra pista do meio... O bunda-rachada acelerou pra me ultrapassar e eu só vi flash lindo na bunda do carro dele... Hahahaha

- Porra malandro, já fiz muita merda dirigindo... Corto caminho direto pelo posto de gasolina, já entrei na contramão cortando geral em Jacarepaguá, já mandei cavalo de pau em mão dupla, já fugi de PM de noite sem carteira até em casa, já bati em velha dirigindo, já taquei ovo em mendigo, passei na poça pra molhar a galera no ponto, já atropelei segurança de shopping de sacanagem, já dei borrachão até queimar o pneu todo... Mas eu só faço essas paradas sozinho mané... Se eu morrer tá tranqüilo, agora levar os outros junto não rola... Porra, já coloquei 240 com esse carro na Linha Amarela... Desço o Alto da Boa Vista na banguela direto...

Interrompendo o discurso destes que acreditam que o veículo é uma extensão do pênis, um Corcel marrom coloca-se à frente do Gol branco filmado e rebaixado. De dentro do automóvel, salta um monstro encapuzado gigantesco que pula no capô do Gol e, com suas duas mãos gigantescas, explode o pára-brisa e arranca de dentro os dois ocupantes. Depois de esfregar suas cabeças na faixa de pedestre, o retificador troglodita arranca uma placa de trânsito e desfere duas raquetadas que fazem os espertinhos do volante voarem à altura do semáforo e caírem dentro da caçamba de um caminhão de lixo que passava no local. O vigilante deposita sobre os corpos atordoados um exemplar do Código de Trânsito Brasileiro, os bonecos "Crash Dummies" e fotos de corpos presos em ferragens, atropelados e carbonizados. Antes que o vigilante pudesse apertar o botão que liga a trituração do lixo, uma saraivada de broches de bandas indie atinge seu capuz de carrasco. Com uma boina vermelha e um uniforme militar customizado, o guerrilheiro virtual fashion interpela o mascarado:

- Ora vejam só... Um elefante embalado em couro agindo como uma agência reguladora! Seu guarda de trânsito psicótico, quem pensa que é para legislar sobre o direito de ir e vir das pessoas? Um carro não é apenas um carro. Um carro é a liberdade, a superação, o status, o poder! É a natureza humana sobre quatro rodas! Todos queremos vencer, ultrapassar, acelerar! As pessoas têm o direito de fazerem o que querem de suas vidas e você me parece um farol com apenas as luzes verde e vermelha! O mundo hoje funciona na luz amarela, querido! Eu sou o Pós Moderninho e vim lubrificar suas enferrujadas engrenagens!

Arrancando a antena do Gol, o vigilante trota na direção de seu inimigo e como um Zorro truculento grava no tórax esquálido a letra S, em homenagem ao herói do automobilismo nacional. Feito isso, um MURRO NO POMO-DE-ADÂO faz a flor da juventude antenada engasgar nervosamente, sendo prontamente socorrida por uma horda de fotologgers, com sorrisos ensaiados, perfis automáticos, poses de profanas virtuais e o domínio total das ferramentas do Photoshop. Acelerando seu Corcel marrom pra longe dali, a massaroca violenta segue para a Rua Ceará, onde espera encontrar a beleza real, imperfeita e sincera de meretrizes de verdade. Antes disso, um grito primal:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 2:32 PM Comentarios:



Quinta-feira, Junho 23, 2005

Pedradas e coquetéis molotov são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e o bunker do consumo.

Tarde cinza de frio e garoa na megalópole paulistana. No bairro nouveau riche da Vila Olímpia é erigido o prédio monumental de uma megaloja de quatro andares com salões labirínticos, onde praticamente não há corredores, pois para o proprietário a idéia é que o consumidor se sinta em casa. Bem ao lado está a favela Funchal, com seus apertados barracos e ruas sem calçamento, onde o esgoto corre a céu aberto em direção ao pútrido e mal cheiroso rio Pinheiros e cuja soma da renda mensal de todas as famílias, 10.725 reais, daria para comprar apenas duas calças na loja. Para garantir a total segurança de seus consumidores, o estabelecimento colocou uma funcionária para cadastrar as pessoas que chegam andando e a entrada só é permitida depois que o visitante fornece nome, telefone, CPF, RG, endereço e e-mail. Os consumidores motorizados possuem carteira de sócio e pagam trinta reais (a primeira hora) de estacionamento e os carros nacionais são postos no fundo e os importados reluzem à frente. Os clientes mais sofisticados utilizam o heliponto.
Nesta praça exclusiva, longe da visão e presença dos miseráveis que infestam a praça da República e a da Sé, duas amigas desfrutam de um mundo bonito, organizado, limpo, seguro, cheio de facilidades e distinção. Ana veste um casaquinho Les Lis Blanc, cachecol rosa com broche de borboleta em strass, cabelos tingidos de mel com franjas de lado e sapatos retrô da decada de 50. Camila desfila com sua saia rodada abaixo do joelho, sapato channel rosa com bolinhas, estola de pele Animale bege e uma blusinha justa mostrando a barriguinha. Depois de relembrarem os momentos de suas férias em Campos do Jordão, as meninas partem para assuntos mais filosóficos:

- Ai Aninha, estou apaixonada. O Cassiano é lindo, faz Gv, é um fofo...
- Sério? Nossa, que legal amiga! O gatinho que eu to ficando é filho da Laurinha Kauffmann e me levou para comer no Don! Mas me conta mais!
- Ah! Ele me ligou ontem, você precisa ver a Hilux dele... Linda... Completissíma. Acho que me apaixonei. O problema é que ele vai ficar seis meses na Austrália e não sei o que faço. Mas mudando de assunto, puta calça loca essa sua hein!
- Hypada, né? É Diesel... Aliás você recebeu o catálogo da Diesel? Está divino! Uma lavagem mais linda que a outra.
- Ah! marca hypada é outra coisa. Nossa Ca, que show seu scarpin. Quero um pra mim!
- É da Arezzo!
- Nossa, deve ter sido super caro...
- E foi!
- Poxa, esse meu sapato já está out... Estava querendo cortar meu cabelo também... Você acha que minha franja fica melhor pra esquerda ou pra direita? Nossa Aninha, olha esse vestido! Perfeito pra baladinha de hoje! Vou causar na Lotus. Meu, que balada é aquela! Só dá garoto Diesel! Mas Aninha, você conhece algum promoter? Porque eu só quero camarote, até porque o Cassiano vai embora mesmo, preciso garantir um gatinho para as férias...
- Relaxa, conheço uns carinhas que vão lá sempre, fecham o camarote, garrafa de whisky na faixa... Fica sussa que hoje vamos causar. Só gatinhos ricos estilo Guaraná Brasil, estilo M. Officer...

Neste momento, um segurança se aproxima de um hidrante, quebra o vidro, agarra a mangueira e aponta na direção das mini dondocas, que recebem uma rajada d´água violentíssima em suas cabeças. Descartando seu disfarce, o vingador truculento agarra os cabelos das moças e dá um nó neles. Arrastando as duas meninas pelo chão em direção à lata de lixo mais próxima, sua tarefa é interrompida por um chamado afeminado vindo de uma loja de objetos de decoração:

- Onde pensa que vai com essas cidadãs honestas? Agora é crime ser bem sucedido? Sabemos como essas pessoas vivem acossadas neste país! Contratam seguranças particulares, cercam suas casas com cercas eletrificadas, pagam pela instalação de câmeras de vigilância nas escolas, blindam seu carros... A propriedade é um direito inalienável! Eles pagam seus impostos, respeitam as leis e não têm culpa de terem mais talento, criatividade, iniciativa e empreendedorismo que a maioria! Eu sou o Pós Moderninho e vim defender estes indivíduos admiráveis!

Com sua mão descomunal, o vigilante moral arranca do chão pedras de mármore e as arremessa sobre seu inimigo como um manifestante atacando o batalhão de choque. Em seguida, de uma caríssima loja de perfumes, o agressivo moralizador rouba um frasco, enfia um pano nele e ateia fogo. O COQUETEL MOLOTOV com fragrância francesa viaja incandescente até explodir nos mamilos perfurados com piercing de Pós Moderninho. Para acudi-lo, ao som de "Keep it coming love", Amauri Junior e toneladas de socialites e celebridades arremessam canapés e espumantes sobre o corpo flamejante de seu simpatizante. Animado com a idéia de pegar a ponte-aérea, comprar no camelô e comer feijoada tocando samba com os amigos, o herói sujo da classe trabalhadora parte dali, gritando bem alto esta palavra de ordem:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 8:42 PM Comentarios:



Quinta-feira, Junho 09, 2005

Golpes de tacape e afundamentos cranianos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e os malandrões cariocas.

Domingo de calor vulcânico no subúrbio do Encantado. Na rua de paralelepípedo, em frente a um prédio de apartamentos, cinco quarentões soltam pipa sem camisa e dois jovens conversam, enquanto um deles lava seu carro ao som do mais violento funk carioca:

- Porra, Leo! Com o dinheiro que tu deu nesse tuning, eu aspirava o motor, botava kit nitro, blower, kits de néon, kit Turbo, pintava pinças de freio, lanternas, faróis, botava rodas maiores, asas... Tu é burrão! Mas tu ta com dinheiro, né? Playboy é foda...

- Porra Bruno, tu sabe que comigo não tem essas paradas... Tu sabe que eu me amarro em som e quando eu gosto de uma parada eu dou o dinheiro que for e foda-se! Eu trabalho pra isso po, pra fazer as paradas que eu gosto...

- Ta, mas eae? Ainda ta trabalhando lá naquela merda? Tu é maluco... Ta se fudendo pra ganhar merreca. Tu é um bundão mesmo... Mete logo um concurso pra fiscal, porra! Porra, lá dentro vou ganhar o dobro do que tu ganha, nunca vou ser mandado embora, sem contar o por fora, né? Se eu não passar, nesse ano mesmo tento logo pra Polícia Federal... Vou passar e ficar como? De patrão, mane...

Nesse momento, a molecada do prédio sobe a rua depois de jogar um maroto time-contra e beber guaraná em copo de vidro tirando onda que é cerveja. Um dos garotos é Murilo, um franzino branquelo muito tímido e ingênuo. Quando a garotada senta no meio fio pra relembrar os momentos mais engraçados do jogo, Bruno atravessa a rua calmamente, coloca-se atrás de Murilo e aplica-lhe um pescotapa sonoro. Ao som da gargalhada geral, Murilo engole calado a agressão de seu tradicional algoz, e quando as menininhas gatinhas do prédio aparecem, Bruno aproveita para metralhar o modelo de menino-de-apartamento:

- Não, agora na moral Murilo, tu já sentiu o cheiro de uma buceta? Serinho muleque, tu sabe tocar punheta? Chegae, pega aqui no meu pau que eu vou te ensinar...

Gargalhada geral.

- Muleque tu é ridículo, não sabe soltar pipa, não sabe jogar bola, não pega mulher... tu é viado não é? Tu faz meinha com o Fabinho que eu sei... Pelo menos um boquetinho tu já pagou...

Meninos gritam: "Iaaaaê! Vai deixar, muleque?". Meninas ficam silenciosamente excitadas com a virilidade de Bruno.

- Tu faz judô né? Então bora fazer na mão aqui... Cinco minutinhos, eu vou com uma mão só... Bora! Bora porra! Bora! Vem fazer na mão muleque! Vai peidar? Não vou te machucar não, babaca! Bora!

Bruno agarra Murilo num clássico mata-leão e depois de um minuto de sufocamento, solta o menino, o abraça e diz:

- Porra muleque, tu sabe que eu gosto de tu pra caralho, não sabe? Gosto de tu pra caralho porra! Agora leva a minha linha lá naquela esquina na moral que eu vou passar cerol...

Depois que Murilo vai embora carregando a linha, Bruno atravessa a rua e faz uma sincera confissão a Leo:

- Eu zôo esse moleque, mas me amarro nele. Pode ver que só eu zôo ele. Só eu bato nele. Porra no futuro ele vai me agradecer mane... Se não fosse eu, ele ia crescer otário, ou então acabar dando o rabo!

De cima de uma amendoeira suburbana, surge um borrão negro disforme que aproveita a força da queda para atingir o espertão com um golpe do TACAPE DA CONSCIÊNCIA, nocauteando-o sem problemas. Sobre seu corpo é depositado um chapéu panamá, camisa de malha de seda, sapato bicolor e uma navalha. Do canteiro de rosas mais próximo, surge uma figura envolta em bilhões de estrelas multicoloridas vestindo camisa com dois números gigantes estampados e um shortinho jeans desfiado:

- Respeite a cultura local, imundície intolerante! Perceba que cada grupo social tem suas regras, costumes, modus vivendi! Existe uma hierarquia natural a ser compreendida, uma relação de forças específica a ser analisada, um equilíbrio a ser observado! A sua verdade não é a verdade deles! Não julgue! Não interfira! Eu sou o Pós Moderninho e vim dar um basta à sua violência!

O TACAPE DA CONSCIÊNCIA pareceu manifestar vontade própria quando estabeleceu-se generoso no topo da cabeça rosada e maquiada do lânguido opositor, fazendo-o afundar seus pés no calçamento de paralelepípedo. Para retirá-lo dali, dezenas de índios de calça jeans, dentes de ouro, dirigindo caminhonetes e reivindicando a posse das terras de seus ancestrais, acidentalmente localizadas em áreas de garimpo. Impaciente, o vingador mascarado corre pra casa para assistir filmes de faroeste, torcendo sempre para o cowboy contra os índios feios e malvados. Antes disso, um grito de guerra tupiniquim por excelência:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 2:15 PM Comentarios:



Sexta-feira, Maio 27, 2005

Sopapos no quengo e chineladas no traseiro são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e os vermes marqueteiros.

Tarde agradável no ameno bairro da Gávea. Um casal de estudantes de publicidade e propaganda conversa no Campus de uma tradicional universidade católica carioca que ignora os votos de Jesus Cristo contra a usura e cobra uma das mensalidades mais caras da cidade. Ele usa uma camisa com um pequeno jacaré costurado e uma bolsa de couro cheia de cds de lounge e ela gesticula empolgadíssima ao comparar a entediante noite carioca com a super-mega-giga night bombante de São Paulo. Orgulhosos de vomitar termos como share-of-mind, briefing, know-how, copy strategy, branding, e-business, market share e data mining, os comunicólogos conversam animadamente:

- Ana, olha que filipeta ridícula! Cinco fontes diferentes numa peça! Eu aqui desempregado, tendo que fazer MBA em Marketing e esses designers fazendo esse lixo...

- Hehehe é verdade! Po André, tipo assim, você que é cabeçudo, me dá uma estratégia legal pra eu usar no meu estágio na Dream Design...

- Aaaah Ana... Você é tão criativa, poxa! Já transformou todos os points of difference em points of parity?

- Já, mas tipo assim, você sabe que isso não é o suficiente... Eu precisava de algo mais agressivo tipo a Tesoura do Mickey, sabe? "Eu Tenho. Você não tem". Ou tipo Close-up White que faz uma pessoa feia ficar bonita...

- Então parte pro marketing de guerrilha, querida! Faça uma promoção escandalosa! Ligue para um jornalista e diga que os dez primeiros clientes que aceitarem tatuar o logo da empresa, vão ganhar o produto de graça até o fim da vida! Ponha os jovens no seu target! Dê descontos para aqueles que mostrarem carteira de estudante! Use marketing viral! Faça com que os clientes te promocionem! Fuja do convencional!

- É uma boa... Mas tipo assim, você sabe que o buzz vai mais longe que qualquer mídia, né? Eu estava pensando em criar um site especializado aparentemente neutro, o mais objetivo possível, e usá-lo para divulgar informações positivas sobre os produtos, sempre em doses razoáveis... Acho que vou trabalhar um e-book em conjunto com um workshop também...

- Pode ser... Mas Ana é nessas horas que eu vejo que Jesus era um gênio do marketing... O cara criou a maior e mais lucrativa empresa de todos os tempos! O produto é a salvação divina, que é muito intangível, capaz de encantar o cliente, imperecível, tem custo zero e alto valor agregado. O preço é cobrado em porcentagem: 10% do salário até o fim da vida! Sem contar que é uma maneira muito inteligente de apreçamento, pois todos podem pagar. A propaganda é a mais eficiente possível: boca a boca. A promoção é perfeita porque qualquer um é bem vindo e tem direito à salvação, paga somente durante a vida e desfruta durante toda a eternidade! A distribuição é global e em qualquer lugar é possível obter atendimento pós-venda, porque a oração permite a comunicação direta entre cliente e empresa! Philip Kotler é merda perto do Cristo Salvador! HAHAHA

Do latão de lixo mais próximo, surge a malcheirosa oposição mascarada que brinda o rapaz antenado, criativo, sofisticado, com um nada refinado SOPAPO NO QUENGO, que deixa cinco dedos gigantes impressos em sua face. Acreditando ser poupada em virtude de sua condição de mulher-gatinha-cool-quase-inteligente, Ana vê o monstro descalçar um imenso chinelo e investir contra suas nádegas sob a forma de patriarcais CHINELADAS NO TRASEIRO, capazes de reforçar a autoridade e a prevalência da tradição em qualquer rabo rebelde. Após presenteá-los com jalecos, quadros negros, caixas de giz, capacetes de operários e uniformes de bombeiros, o tanque moral aguarda de braços cruzados a costumeira aparição de seu opositor, que surge serelepe e radiante vindo das tendas do departamento de artes:

- Quem é você para nos dizer qual profissão é nobre e qual não é? Não percebe que é hipocrisia continuarmos respeitando um código de ética profissional quando na verdade sabemos que tudo é dinheiro? Sim, somos niilistas hedônico-consumistas e não será essa sua...

Impaciente, obtuso, arcaico e grosseiro, o inspetor dos bons costumes arremessa um gigantesco outdoor na direção de Pós Moderninho, que permaneceu esmagado pela estrutura metálica até que manadas de crianças prodígio abandonassem suas sessões de fotos, filmagens de comerciais de tv e novelas para socorrer o amiguinho afeminado. Dando o fora dali, o instrutor moral ruma para sua casa, para jogar futebol, soltar pipa e brincar de pique-pega com seu filho, mas não sem antes apavorar a vizinhança com um urro ensurdecedor:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 7:24 PM Comentarios:



Terça-feira, Maio 17, 2005

Bolachas na fuça e safanões no pé da orelha são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de Hoje: LAROM e os céticos piadistas.

Noite de bombação alternativóide em um cinema pornô do centro da cidade. Neste dia, a boate é palco (ou altar) para um casamento-espetáculo, onde os pombinhos em trajes customizados recebem os convidados (todos aqueles que pagaram a entrada), alguns ostentando ternos e vestidos longos, condição necessária a um desconto especial no bar. Na fila, antes de entrar, uma dupla de jovens amigos recebe panfletos de um rapaz:

- Porra eu conheço esse babaca que entregou esses panfletos de algum lugar...

- Deve ser de algum diretório acadêmico. Essa gente não tem o que fazer...

- Caraaaaalho é isso mesmo... Acho que esse cara faz História! Sempre tem um querendo aparecer... Gritando em ônibus de excursão... Fazendo Zine... Querendo dominar o mundo...

- Aaaaaah então está explicado... Quer ser o novo Lindberg! Esses caras não pegam ninguém e ficam assim. Meu pai diria: "Pra mim isso tem um nome: Ociosidade!".

- É verdade... Hoje tá aqui fedendo a maconha, vendendo poesia pseudo-trotskista de papel xerocado, todo sujo, entregando manifesto cheio de erros de português, mas na primeira oportunidade vai aceitar um carguinho aqui, uma acessoria ali...

- É por isso que eu não acredito em porra nenhuma. Deuses, anjos, exus, encostos, natureza, gnomos, ETs, energia, espiritualidade... Eu acredito na ciência e no conhecimento! Na verdade, eu não acredito em nada! Até de mim eu duvido! HAHAHA

- Não, serinho agora: Eu não acredito na revolução. Eu acredito em sexo casual. Mas isso não tem como não acreditar, porra... Eu pratico! HAHAHA

- Porra, é por essas e outras que eu botei no Orkut que eu sou "liberal de esquerda". Existe termo mais equilibrado, mais centro, mais bonito? Toda vez que penso nesse termo fico emocionado, quase choro, boto a mão no peito e o caralho. Me imagino deitado em cima de um muro felizão vendo Dvd do Clash e tomando Coca-Cola! HAHAHA

Orgulhosos de seu humor cáustico, eles permaneciam com as sobrancelhas arqueadas e os sorrisos de canto de boca quando o segurança autorizou que os dois seguissem para a bilheteria. Ainda surpresos com sua irreverência cool, os espirituosos-mão-no-bolso mal perceberam que no lugar da atendente, uma massa disforme de músculos aguardava pacientemente sua presença, saudada com a demolição da cabine e o emprego de uma BOLACHA NA FUÇA do rapaz mais próximo. A próxima vítima tremia como um cão na chuva quando um SAFANÃO NO PÉ DA ORELHA o fez catar cavaco e cair numa lata de lixo. Ambos foram presenteados com um chupa-cabras, uma pomba-gira, um saci e o livro "Utopia" de Thomas Morus. Do terraço, ao som de Drum n Bass, cai como uma pluma o herói da relativização total, vestindo um terninho Armani, tênis All Star e segurando uma guitarra cor-de-rosa:

- Generalizador preconceituoso, messias da Revolução Careta, assuma que você só quer criar polêmica e publicidade com seus ataques! Porque não propõe um debate civilizado, ordeiro e democrático expondo suas inquietações em vez de assumir sempre esta postura hipócrita e arrogante de quem acredita estar levando a verdade absoluta às pessoas? Todos estão certos! Intelectuais e analfabetos! Anarquistas e autoridades! Críticos e criticados! O mundo é consumo e você faz parte dele, meu querido! Eu sou o Pós Moderninho e vim desconstruir todas as suas utopias totalitárias!

Dito isto, a multidão de jovens descolados, transados, que sabem o que querem, se aglomera nas varandas ovacionando seu defensor colorido contra a ameaça démodé. Pós Moderninho aponta a guitarra na direção de LAROM e começa a tocar acordes soltinhos, bem levinhos, propositalmente fora do tom, cantando melodias doces, sussuradas, gemidas... Antes que seu corpo amolecesse por completo, o carrasco negro saca de sua POCHETE DE UTILIDADES uma pequena cápsula que é arremessada na velocidade de 136 km/h e que no trajeto cresce para se converter numa BOLA DE MERDA GIGANTESCA, fazendo com que seu opositor produza um raio de fedor de 1 km. Ridicularizado na frente dos seus, a gazela foge correndo ao som da gargalhada geral, mas o riso logo se transforma em pavor quando o carrasco sobe as escadas à procura daqueles que pós-modernizaram a instituição matrimonial. Depois de fazê-los ajoelhar no milho e submetê-los a torturas medievais, o monstro moral deixa a tarefa de queimá-los na fogueira para Bento XVI e grita o seguinte canto gregoriano:

- LAROM!

O vingador mascarado desaparece dali e mais uma vez os valores da comunidade estão salvos. Avante, LAROM o vigilante moral!

postado por: FRANCISCO COTA 3:14 PM Comentarios:




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