Lições de LAROM

Pescotapas disciplinares e tostões repressivos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!



Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Pescotapas disciplinares e tostões repressivos são algumas das armas de LAROM para defender os bons valores da sociedade contra vermes de todo tipo. E nesta tarefa nem seu arqui-inimigo PÓS-MODERNINHO poderá impedir o justiçamento moral daqueles que merecem!

Episódio de hoje: LAROM e classe média aterrorizada.

Tarde de sol na Lagoa. Dentro de seu carro esporte elegante e arrojado, Heleninha Kauffmann se esconde atrás do insulfilm de penumbra total. Lá fora o calor vulcânico de 42º e o berro das buzinas e escapamentos. Dentro, o frio glacial do ar-condicionado e o canto despojado de Jay Vaquer. No sinal, um moleque sobe nos ombros do colega e joga os malabares para o alto. Súbito, um esguicho de água sai de uma garrafa pet e vai brindar o pára-brisas de Heleninha. Ela não quer que limpem o pára-brisa. Ela não quer pagar pela limpeza do pára-brisas. Ela sequer quer abrir o vidro elétrico e interagir com o menino. Coagida, ela dá algumas moedas. Puta, ela chega em casa. Com os óculos Dolce & Gabana tomando todo o rosto, ela senta para ler a coluna de Arnaldo Jabor: ¿Nós estamos salpicados de favelas, de onde descem hordas de vagabundos de bermuda para pescar cidadãos como num parque temático. Nosso melhor governador foi o Carlos Lacerda, nos bons tempos do Estado da Guanabara, homem inteligente e competente que foi o ódio máximo de minha juventude (podem me esculhambar, velhos comunas...), mas que nos trouxe luz, água, túneis, urbanização...¿. Depois de um Dry Martini, ela escreve uma carta para o jornal defendendo a legalização de emprego privado para policiais, pede o exército nas ruas e quando ia pendurar a faixa vermelha na varanda de frente para a Lagoa com a inscrição ¿BASTA!¿, ela ouve um estrondo na porta da sala. Atravessando a porta de madeira de lei, surge um aglomerado de gordura e músculos encapuzado. Ele atravessa a sala, usa o Tacape da Consciência para explodir três esculturas de mármore Carrara e quando chega próximo da socialite ela já esta desvanecida. Depois de enrolá-la em seu tapete persa e presenteá-la com fones de ouvido tocando funk de apologia ao tráfico no volume máximo, o vigilante moral apenas aguarda a corriqueira chegada da gazela modernosa. Súbito, na tv de plasma de um milhão de polegadas, um comercial anuncia:

¿- Boneco LAROM!® Articulado, Boneco Pós Moderninho® com estrelinhas luminosas e cheirinho de chicle (pilhas não incluídas), Capuz de Carrasco LAROM!® - aperte o botão e ouça o urro do vigilante mascarado!, Tacape da Consciência LAROM!®, Pochete de Utilidades LAROM!® e os mais novos inimigos: Supinado e Pronador® - os irmãos jiujiteiros vão botar pra quebrar! (aperte o botão e escute ¿Pô, Brother¿ e ¿Vou quebrar você¿), Paty Pistoleira® ¿ Esta musa vai detonar seu coração! (aperte o botão e escute ¿Tipo assim, cara¿, ¿Tô nem aí¿ e ¿Quero é beijar na boca e ser feliz!¿) e Magnata® - o chauvinista especulador neoliberal! (aperte o botão e escute ¿superávit primário¿, ¿austeridade fiscal¿, ¿risco Brasil¿). Corra logo e garanta logo o seu! Mais um produto Post Modern®!¿

Calado. Petrificado. Perdido. Xeque-mate.

Um capuz é deixado em um latão de lixo...

postado por: FRANCISCO COTA 5:28 PM Comentarios:




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